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Enquanto a tecnologia avança, Pablo Muribeca desaparece

Enquanto a tecnologia avança, Pablo Muribeca desaparece
  • Publicadosetembro 2, 2025

Comissão paralisada: por onde anda o deputado Muribeca?

Enquanto o mundo discute os limites e as possibilidades da inteligência artificial, o Espírito Santo assiste, em silêncio, à paralisia da Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa. Sob o comando do deputado Pablo Muribeca (Rep), o colegiado acumula mais de dois meses sem uma única reunião. Não é só omissão — é desprezo pela função legislativa.

Com quatro sessões consecutivas canceladas, a comissão mergulhou em irrelevância institucional. E não se trata apenas de ausência de pauta: trata-se da ausência de compromisso. Nem os demais membros demonstram interesse em reverter o cenário. A presidência, ao que tudo indica, serve hoje apenas como vitrine para um mandato mais preocupado com curtidas do que com políticas públicas.

Enquanto o setor de tecnologia aguarda audiências, regulamentações e iniciativas concretas, Pablo Muribeca prefere a performance. Está mais presente nas ruas da Serra recolhendo assinaturas contra o IPTU — bandeira populista e municipalista — do que nos debates sobre inovação, inclusão digital ou proteção de dados. Em seu canal de comunicação, o destaque vai para vídeos em que, ao lado da esposa, Lara, visita restaurantes locais em uma espécie de reality gastronômico batizado de #AlmoçandoNaComunidade.

Transformar a agenda institucional em roteiro político-comercial não é apenas uma escolha estética. É uma inversão de prioridades grave para quem preside uma das comissões mais estratégicas para o futuro do estado.

E o abandono é generalizado. O supervisor da comissão, Thiago Carreiro, raramente é visto na Assembleia. Moradores de Jacaraípe relatam que ele circula mais pelo bairro do que pelos corredores do Legislativo. Sem coordenação técnica, sem planejamento, sem entregas — a comissão vive à deriva.

Mas o desprezo não se limita à comissão. Segundo registros oficiais, Pablo Muribeca faltou às sessões ordinárias da Assembleia em 16 e 30 de abril, 14 de maio, e nos dias 2, 10 e 11 de junho de 2025. Os ofícios 77, 78, 98 e 45 comprovam: quem deveria legislar, simplesmente não comparece.

Num momento em que o Espírito Santo poderia estar liderando debates sobre o impacto das tecnologias emergentes, tem à frente da principal comissão sobre o tema um parlamentar que prefere o teatro das redes sociais à tribuna do parlamento. O resultado é um mandato esvaziado, descolado das demandas reais da sociedade.

No site da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, a seção ‘Atividade Legislativa‘ — que exibe de forma transparente as agendas, pautas e atas taquigráficas das comissões — comprova o esvaziamento da Comissão de Ciência e Tecnologia.

Pablo Muribeca não apenas silenciou a Comissão de Ciência e Tecnologia. Ele tem se ausentado da própria política. E em tempos de avanço tecnológico, omissão é mais do que erro — é traição ao futuro.

Quem cala consente. Mas quem falta, compromete.

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Tudo é político

NEM isento, NEM imparcial A coluna nasce do princípio de que tudo é político. Essa afirmação, longe de ser um exagero, reflete uma constatação fundamental: as decisões que tomamos, as ações que escolhemos e até os silêncios que guardamos reverberam nas estruturas de poder que organizam a sociedade. Formar opinião, distribuir recursos, estabelecer regras e até questionar silêncios é fazer política. Por isso, NEM isento, NEM imparcial: porque se posicionar é uma escolha ética e uma responsabilidade jornalística. Com olhar atento sobre a política capixaba e brasileira, TUDO É POLÍTICO se propõe a ser um espaço de análise crítica, provocação e argumentação bem fundamentada, sem medo de tomar partido desde que seja sempre o partido da democracia, da justiça e da transformação social.

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