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Após 121 dias de impasse, suplentes assumem cadeiras na Câmara da Serra em meio a crise institucional

Após 121 dias de impasse, suplentes assumem cadeiras na Câmara da Serra em meio a crise institucional
  • Publicadojaneiro 22, 2026


Substituições ocorrem após longa disputa judicial que expôs as fragilidades do Legislativo municipal e gerou vácuo de representação

Por mais de quatro meses, a Câmara Municipal da Serra — maior colégio eleitoral do Espírito Santo — operou com um déficit de representação. Quatro cadeiras permaneceram vazias desde 23 de setembro de 2025, quando a Justiça determinou o afastamento imediato de vereadores investigados por corrupção. Agora, após 121 dias de imbróglio jurídico e institucional, os suplentes Marcelo Leal (MDB), Dr. Thiago Peixoto (PSOL), Wilian da Elétrica (PDT) e Sérgio Peixoto (PDT) tomarão posse no próximo 2 de fevereiro, na reabertura dos trabalhos legislativos.

A recomposição ocorre não por iniciativa política, mas por esgotamento dos próprios argumentos usados para protelar as convocações. A tese sustentada pela Mesa Diretora da Câmara — de que apenas afastamentos superiores a 120 dias autorizariam a posse de suplentes — perdeu validade com o calendário. O que antes era resistência técnica, agora soa como manobra política.

O caso que paralisou o Legislativo

O afastamento de Saulinho da Academia (PDT), então presidente da Casa, Cleber Serrinha (MDB), Wellington Alemão (Rede) e Teilton Valim (PDT), por ordem do juiz Rodrigo Ferreira Miranda, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Serra, mergulhou o Legislativo num vácuo institucional. Todos são investigados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por suposta participação em um esquema de corrupção passiva dentro da própria Câmara.

A crise se agravou diante da ausência de uma resposta ágil da Mesa Diretora. Embora o regimento interno preveja a convocação de suplentes em até três dias após a vacância, a Procuradoria Legislativa passou a interpretar que tal substituição só se justificaria após 120 dias de afastamento — uma leitura controversa, baseada em precedentes do STF que não têm aplicação direta ao caso. O resultado foi uma judicialização prolongada e o agravamento do desgaste político.

Justiça em disputa, Legislativo em espera

O ponto de inflexão ocorreu em dezembro, quando o desembargador Júlio César Costa de Oliveira, relator do caso no TJES, negou o pedido de posse imediata apresentado por três dos suplentes. A liminar manteve a situação suspensa até que o prazo defendido pela própria Câmara — os tais 120 dias — fosse ultrapassado.

Com o novo ano e a marca simbólica dos 121 dias, a justificativa se esvaiu. A Câmara, encurralada, agora convoca os suplentes não por convicção institucional, mas por conveniência jurídica. Sérgio Peixoto, suplente que não participou das ações judiciais, também será empossado.

Reflexos de uma crise mais profunda

O episódio é mais do que um tropeço burocrático. Ele revela o quanto o sistema político local ainda carece de clareza normativa, maturidade institucional e compromisso com a cidadania. Durante todo esse período, um sexto da Câmara permaneceu esvaziado — um prejuízo direto à representatividade da população serrana.

Além disso, a disputa escancarou a fragilidade dos mecanismos internos da Casa, expôs a politização de interpretações legais e evidenciou como o Judiciário pode se tornar árbitro de impasses criados, em grande parte, por omissões políticas.

O que esperar daqui pra frente

A posse dos suplentes deve encerrar formalmente esse capítulo, mas está longe de pacificar o cenário. O inquérito contra os vereadores afastados segue em curso, e seus desdobramentos ainda podem impactar a composição e a imagem da Câmara. Os suplentes, por sua vez, chegam em meio à desconfiança pública e com a pressão de demonstrar que não são apenas substitutos ocasionais, mas representantes legítimos de um eleitorado cada vez mais atento.

A crise da Câmara da Serra é mais um lembrete de que a democracia local não pode sobreviver apenas das formalidades regimentais. Ela precisa de instituições dispostas a agir com transparência, responsabilidade e respeito à sociedade que representam.

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Tudo é político

NEM isento, NEM imparcial A coluna nasce do princípio de que tudo é político. Essa afirmação, longe de ser um exagero, reflete uma constatação fundamental: as decisões que tomamos, as ações que escolhemos e até os silêncios que guardamos reverberam nas estruturas de poder que organizam a sociedade. Formar opinião, distribuir recursos, estabelecer regras e até questionar silêncios é fazer política. Por isso, NEM isento, NEM imparcial: porque se posicionar é uma escolha ética e uma responsabilidade jornalística. Com olhar atento sobre a política capixaba e brasileira, TUDO É POLÍTICO se propõe a ser um espaço de análise crítica, provocação e argumentação bem fundamentada, sem medo de tomar partido desde que seja sempre o partido da democracia, da justiça e da transformação social.

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