Segurança Pública: A Responsabilidade Compartilhada que Vai Definir as Eleições de 2026
Quem souber usar o tema da segurança pública nas eleições de 2026 sairá na frente. Em outros tempos, nós que trabalhamos com marketing político tínhamos uma máxima: o ordenamento urbano ajuda a eleger o prefeito, a segurança pública ajuda a eleger o governador e a economia ajuda a eleger o presidente. Era uma máxima que todo marqueteiro político começava o primeiro dia falando, e ninguém nunca questionava. Claro que o ordenamento urbano continua sendo importante, e a economia, claro, sempre será importante. Só que há uma mudança de percepção. E a mudança de percepção ocorre por uma palavrinha fundamental, que se chama liberdade. Hoje você tem esse sentimento de medo, de limitação das suas liberdades. O medo é algo paralisante.
Como colunista especializado em marketing político, acompanho de perto como temas sensíveis se transformam em narrativas eleitorais. E, nos últimos dias, poucos assuntos ganharam tanta tração quanto a segurança pública no Brasil. Acompanhando as entrevistas e participações do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e de especialistas em segurança como o ex-integrante do BOPE, hoje consultor Rodrigo Pimentel, após assistir vasto material sobre a operação contra o CV no Complexo da Penha no Rio de Janeiro e as operações contra o PCC em São Paulo, fica claro que estamos diante de uma virada paradigmática: a segurança não é mais um “problema estadual” isolado. Ela se tornou responsabilidade de todos os níveis de governo: federal, estadual e municipal. E, com as eleições de 2026 batendo à porta, esse será o eixo que dominará campanhas, discursos e, sobretudo, a percepção dos eleitores.
Quero chamar atenção para a “mudança de percepção” impulsionada pela palavra-chave “liberdade”. Antigamente, falava-se de liberdades religiosas, de voto ou de expressão. Hoje, o medo, esse sentimento paralisante, como bem descrito, limita o dia a dia das pessoas. Pais hesitam em deixar filhos brincarem na rua ou irem sozinhos à escola; adultos evitam sair à noite, usar relógios ou falar ao celular em público. Essa “lógica do medo” permeia a sociedade, transformando a insegurança em uma questão central, que ultrapassa fronteiras administrativas. Vejo aqui uma oportunidade clássica: candidatos que souberem posicionar-se como “guardiões da liberdade cotidiana” ganharão pontos preciosos.
Um ponto crucial na discussão é o papel da mídia e da internet na amplificação dessa “sensação de segurança”, ou, melhor, de insegurança. Não se trata mais de dados frios, como índices de criminalidade, mas da percepção moldada por cliques, fake news e o “jornalismo factual” empobrecido. Com celulares na mão de todos, vídeos de assaltos ou confrontos viram virais em segundos, criando uma “tempestade perfeita” de pânico coletivo.
No Rio de Janeiro, epicentro dessa narrativa, essas entrevistas revelam investimentos maciços que servem de lição para marqueteiros em todo o país. Sob Castro, o estado passou de “segundo pior salário policial” para o terceiro melhor, com compras de viaturas semiblindadas, coletes individuais, drones, câmeras corporais e um centro de inteligência modernizado. Programas como o “Segurança Presente” expandiram de 20 para 57 bases, e o orçamento anual bateu 16 bilhões de reais, mais que o triplo do investido na intervenção federal de 2018. E o que isso significa em termos eleitorais? Resultados tangíveis: carnavais e réveillons mais seguros da história, recordes de turistas (mais de 2 milhões internacionais em 2025, superando Copa e Olimpíadas) e uma ocupação hoteleira de 100%. Esses números não são só estatísticas; são histórias vendáveis, que contrariam a imagem de “epicentro da insegurança” e posicionam o governador como um gestor pragmático.
Mas o destaque vai para a operação policial mencionada, descrita como a “maior e mais letal da história, não só do Brasil, mas do mundo”. Planejada com base em mandados de busca e inteligência acumulada, ela reflete uma estratégia estrutural, não sazonal. Diferente de planos passados, como UPPs ou delegacias legais, que sucateavam uma polícia em favor da outra, o modelo atual integra forças com um coordenador estratégico, autonomias preservadas e foco em tecnologia. Para o marketing político, isso é ouro: operações como essa geram respostas positivas em pesquisas, especialmente em comunidades, como visto em São Paulo, onde a segurança foi decisiva nas eleições municipais recentes.
Olhando para 2026, governadores, senadores e deputados que ignorarem essa pauta estarão fora do jogo. Em cidades densas, onde o adensamento demográfico amplifica o problema, mais gente, mais comércio, mais crimes, a segurança vira prioridade inescapável. Candidatos devem construir narrativas colaborativas: parcerias com estados para policiamento de proximidade, integração de câmeras privadas ao monitoramento público (como o “190 Integrado” no Rio) e pressão ao federal por recursos contra facções.
Em resumo, a segurança pública transcendeu o “limite do aceitável”, como destacado nessas entrevistas. Ela não é mais lateral; é o centro da vida das pessoas. Para marqueteiros, o desafio é transformar medo em mobilização, insegurança em voto. Governos que assumirem essa responsabilidade compartilhada: federal, estadual e municipal, não só combaterão o crime, mas conquistarão corações e urnas. 2026 será o teste definitivo: quem souber “vender” segurança como liberdade reconquistada sairá vitorioso.