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Não é de Vitória!: entenda por que a Serra quer mudar o nome de bairros

Não é de Vitória!: entenda por que a Serra quer mudar o nome de bairros
  • Publicadooutubro 25, 2025

Mais que um novo nome: Serra reivindica seu lugar na história industrial do Espírito Santo
Por Redação Conecta

Após mais de quatro décadas carregando o nome de uma cidade que nunca foi sua, os polos industriais Civit I e II, localizados no município da Serra, podem finalmente ser rebatizados. Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal propõe renomear oficialmente as regiões para “Centro Empresarial da Serra I e II” — uma medida que vai muito além de uma simples troca de placas.

A proposta, de autoria do vereador George Guanabara (Podemos), pretende corrigir uma distorção histórica que remonta aos anos 1970, quando, em meio ao ciclo de Grandes Projetos Industriais no Espírito Santo, o polo foi idealizado para ser instalado em Vitória. Impedimentos urbanísticos empurraram o empreendimento para os limites da Serra, onde cresceu, se consolidou e se transformou em um dos motores da economia capixaba. Mas o nome permaneceu: Centro Industrial de Vitória, ou Civit, como ficou conhecido.

Uma geografia invisibilizada

A questão vai além da toponímia. Ela revela como decisões estratégicas podem, inadvertidamente ou não, apagar a identidade territorial de um lugar. Durante décadas, a Serra carregou silenciosamente o peso e o orgulho de ser o maior polo industrial do Espírito Santo, mas sem o devido reconhecimento público. O nome “Vitória” estampado em placas, registros cartoriais e endereços oficiais sempre contou uma história incompleta.

Segundo o vereador autor do projeto (PL 941/2025), a medida busca justamente “corrigir uma distorção geográfica e reforçar a identidade da Serra como polo de negócios e investimentos”. E não há exagero nessa afirmação. Com mais de mil empresas instaladas, os polos Civit I e II não são apenas áreas industriais — tornaram-se ecossistemas urbanos completos, com presença significativa de comércios, prestadores de serviço, centros logísticos e trabalhadores vindos de diversas regiões.

Uma Serra que pede passagem

O novo nome proposto — Centro Empresarial da Serra — é mais do que justo. É simbólico. Em um Estado onde a capital historicamente centralizou o protagonismo político e econômico, a Serra emerge como uma força independente, dinâmica, com peso populacional, industrial e arrecadatório. Em 2025, o município já figura entre os maiores em crescimento econômico no Sudeste, puxado justamente pelos empreendimentos instalados nas regiões que ainda hoje atendem por um nome que não lhes pertence.

Associação dos Empresários da Serra (Ases) apoia formalmente a mudança, não apenas pelo aspecto identitário, mas também pelos impactos práticos. “O uso do nome Vitória ainda gera confusão em entregas, cadastros corporativos e sistemas logísticos”, aponta a entidade. Ou seja, a troca pode representar também um ganho de eficiência e clareza.

Reconhecimento que move a economia

É preciso lembrar: nomes têm peso. Nomes atribuem valor, pertencimento e narrativa. Assim como “Cubatão” se tornou sinônimo de polo industrial no Sudeste, ou “Paulínia” se firmou como referência petroquímica em São Paulo, a Serra merece ser reconhecida por sua real contribuição ao Espírito Santo. O nome é parte da identidade, mas também é ferramenta de projeção. Rebatizar o Civit como Centro Empresarial da Serra é, em essência, devolver ao município o que sempre lhe foi de direito: a autoria da própria história.

A proposta ainda precisa passar pelas comissões internas da Câmara e seguir para votação. Se aprovada e sancionada pelo Executivo municipal, a mudança será implementada sem ônus para moradores ou empresas, conforme prevê o texto do projeto.

Mais do que uma alteração de nomenclatura, trata-se de um gesto de justiça territorial e afirmação de identidade. A Serra, finalmente, poderá estampar no nome o papel que sempre desempenhou: ser o verdadeiro coração econômico do Espírito Santo.


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Written By
Genilton Martins

Nosso colunista, Ton Martins - Com 24 anos de experiência na condução de campanhas políticas bem-sucedidas, Ton Martins é um estrategista de comunicação que transforma ideias em votos e molda cenários eleitorais. Especialista em planejamento de comunicação, marketing político e gestão de crises, sua trajetória é marcada pela criação de mensagens persuasivas que não apenas informam, mas mobilizam e geram engajamento.

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