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Veneno de abelha mostra potencial promissor contra o câncer de mama mais agressivo

Veneno de abelha mostra potencial promissor contra o câncer de mama mais agressivo
  • Publicadooutubro 10, 2025

Estudo australiano revela que a melitina, presente no veneno de abelhas, eliminou células de câncer de mama triplo negativo em laboratório, sem afetar células saudáveis

Por Redação Conecta

Em um avanço promissor no combate ao câncer, pesquisadores do Instituto Harry Perkins de Pesquisa Médica, na Austrália, descobriram que a melitina — substância ativa do veneno de abelha — é capaz de destruir células de câncer de mama triplo negativo em apenas uma hora, sem causar danos imediatos às células saudáveis, em alguns testes de laboratório.

A pesquisa, publicada em npj Precision Oncology, chamou a atenção da comunidade científica internacional por trazer uma possível alternativa no tratamento de um dos tipos mais letais e difíceis de tratar da doença: o câncer de mama triplo negativo. Esta forma de câncer representa cerca de 10% a 15% dos casos e, diferentemente de outros subtipos, não responde às terapias hormonais ou drogas que visam receptores específicos. Ou seja, as opções de tratamento são limitadas à quimioterapia, com altos índices de resistência e recidiva.

Uma toxina natural com ação seletiva

Segundo a principal autora do estudo, a pesquisadora Ciara Duffy, o composto foi testado em mais de 300 tipos de células, incluindo células cancerígenas e saudáveis. A melitina demonstrou uma capacidade notável de penetrar rapidamente na membrana celular do câncer, causando sua destruição em cerca de 60 minutos. “O mais impressionante é que, em algumas amostras, a substância não causou danos imediatos às células saudáveis, o que nos dá uma pista de sua possível seletividade”, afirmou Duffy.

A melitina age bloqueando os principais sinais químicos que permitem o crescimento e a divisão das células do câncer de mama triplo negativo. Além disso, os cientistas observaram que, quando combinada com drogas quimioterápicas, a substância aumentou a eficácia do tratamento, abrindo caminho para terapias mais precisas e menos tóxicas.

Ainda é cedo, mas os resultados são animadores

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores reforçam que os testes ainda estão em fase pré-clínica e foram realizados apenas em laboratório, utilizando células humanas e modelos animais. Antes de qualquer aplicação em pacientes, são necessárias diversas etapas de avaliação para comprovar a eficácia e a segurança do uso da melitina em humanos.

“Ainda estamos longe de ver essa substância sendo usada como medicamento”, explicou Duffy. “Mas nossos resultados são um passo importante na direção de novos tratamentos baseados em componentes naturais, com potencial de transformar a forma como enfrentamos o câncer mais resistente”.

O papel da biodiversidade na medicina

Este estudo reforça uma lição antiga, mas constantemente negligenciada: a natureza é um repositório vasto de compostos com alto potencial terapêutico. A melitina é apenas um exemplo de como substâncias produzidas por organismos como abelhas, cobras e até bactérias podem ser exploradas para fins medicinais. O desafio está em isolar esses compostos, entender seus mecanismos de ação e convertê-los em medicamentos seguros e eficazes.

Além disso, destaca-se a importância da conservação da biodiversidade. A abelha-europeia (Apis mellifera), fonte do veneno analisado, vem sofrendo declínio em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, devido a pesticidas, mudanças climáticas e perda de habitat. Preservar essas espécies é garantir que seu potencial científico continue a ser explorado.

“As abelhas são muito mais do que produtoras de mel — elas são agentes fundamentais para o equilíbrio ambiental e a segurança alimentar. Cerca de 75% das culturas agrícolas do mundo dependem, em alguma medida, da polinização feita por elas. Preservar as abelhas é proteger nossa biodiversidade, nossa saúde e até mesmo possibilidades futuras de avanços na ciência, como mostra a recente descoberta do potencial terapêutico de substâncias presentes no veneno desses insetos.”

— Karina Nolasco, presidente do Instituto IBA (Instituto Brasileiro de Apoio ao Desenvolvimento Social e Econômico)

Uma nova esperança para milhares de mulheres

No Brasil, o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres (depois do câncer de pele não melanoma) e representa cerca de 29% dos novos casos da doença anualmente, segundo o INCA. Entre esses casos, estima-se que mais de 10 mil mulheres enfrentem o tipo triplo negativo, que costuma acometer mulheres mais jovens e negras, e apresenta maior taxa de mortalidade.

A descoberta do Instituto Harry Perkins, portanto, traz uma centelha de esperança para milhares de pacientes que aguardam novas formas de tratamento. Ainda que a melitina não chegue tão cedo aos consultórios, ela acende uma discussão importante sobre o investimento em ciência, inovação e na busca por terapias que respeitem a complexidade da doença e da vida.


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